BEM-VINDOS

Obrigado pela sua chegada; não se esqueça que é de AMOR AGAPIANO* que essencialmento poeto, também erótico quando a propósito de algumas circunstâncias episódicas nas mais diversas proporções. Como estou avança(n)do no tempo, não se escandalize, porque o que é preciso erradicar do Mundo é o preconceito secular, topo onde está preponderantemente a regressão da Humanidade neste percurso da condição humana, nem sempre adequada ao futurecer* do Homem, albergado corporalmente neste Planeta, sem saber com precisão, na generalidade, onde está a sua/nossa Alma. [ Obs. os astericos* assinalam dois neologismos da nossa Língua ].

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sábado, 9 de maio de 2009

Daqui, se fez nome - Daniel Cristal

 
Zeus rendeu-se aos encantos da princesa
Mais bela do Universo... a bela forma
E também o encanto em singeleza
Na leitura do verso que transforma...
 
Seu nome era Europa sendo deusa!
Da Fenícia colheu suas vestes de ouro!
E Zeus tornou-se touro, mas em enfiteuse
Reclamou do Universo o trigo louro...
 
Seu couro de ouro feito não havia igual !
E raptou-a pelos mares tumultuosos
Para aportar na terra que é hoje Europa!
 
À sua cabeça encontra-se Portugal
Que levou a outros cantos belicosos
Uma nau que não navega, mas galopa!
 

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Beijos - Daniel Cristal


Há beijos robotizados
Outros são só bocejos
Outros são arrebatados

Bocejos dispenso-os bem
Só propiciam enfados
Os robotizados também

Eu adoro os arrebatados
Os que exprimem amor fervente
De dois seres apaixonados

Empolgam-me os amorosos
São beijos que jamais se esquecem
São beijos que nos aquecem

Feliz o beijo de amor
Pois o beijo com paixão
Pode ser só ilusão!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Com a rosa - Daniel Cristal


Com a rosa na mão e o seu odor
no coração, não sinto o espinho
cravado no pé coxo, cor do vinho
ou da pena do mocho, sem ter dor.

Com a rosa na mão, sinto o enlevo
duma oração convicta, e no fervor
nos modifica, sendo o amor
a depor no coração novo relevo.

Com a rosa na mão não há espinho
que doa no meu pé boto, nem se sente
o espinho da rosa, nem o piar do mocho.

Porque ela inebria, como faz o vinho,
cresce na luz do dia, afaga a mente,
e dá prazer viver com o pé roxo!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Só Amor - Daniel Cristal


Perante o infinito sou um cisco
Minúscula partícula da bruma
Que o mar expande em ténue sarrabisco
No acrónico ciclo da espuma.

Sou cisco imanente numa chama
Crepitando na Essência do Universo,
E por isso reduzo toda a trama
A um soneto final na alma imerso.

Amálgama é pra sempre o que foi cisco
Onde me sentia deus... Só ilusão,
Porque a ambição é mera pretensão!

Queria cumprir missão de alto risco,
Convicto, sem razão, de ser profeta,
Pois foi o Deus do Amor quem me fez poeta!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Eterno Possuído - Daniel Cristal

 
Entre a seara e a horta no fundo vale 
De joelhos rendeste homenagem 
Ao Sol, o milho-rei original... 
Foi assim que recebi tua mensagem... 

Recebi a mensagem como um preito 
À espiga do mundo, o mais fecundo! 
Senti o descompasso no meu peito 
Sentindo tua boca até ao fundo... 

Procurei a maçã do pomar quente! 
Na língua se tornou ervilha viva 
Botão de Rosa aberta à minha frente... 

Foi o Amor do Vate pela Diva... 
Um cálice de Amor em tanta oferta 
Possuído eterno desta Rosa aberta! 

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Miragem Colorida - Daniel Cristal


É a colorida miragem no deserto
quando se está sequioso e carente,
uma miragem que abençoa a agonia,
mas não é mais que isso, muito perto.

Não vale a pena confundir o que confunde
porque confundido está quem se confunde;
é como ir na baixa-mar ao seu destino,
ir e velejar e nunca mais voltar...

E por mais que digam que o sonho é bom,
e todos estão ao nosso alcance,
nem todos são assim, e também morrem
por neles vermos só aquilo que queremos.

E porque são miragem, brilham no deslumbre,
mas, a realidade é outra, outra tal e qual
por mais que a queiramos colorida,
ela fixa, a exaurir, a nossa vida.

domingo, 3 de maio de 2009

Mãe - Daniel Cristal


A todas as mães deste, e do outro mundo,
almejo o que desejo à minha mãe:
o meu e o teu bom-dia neste fundo
em que a luz e a alegria tudo têm.

Almejo que ela veja em todos nós
admiradores gratos sem censura,
pois foi ela quem deu à nossa voz
toda a simplicidade na mesura.

A todas as mães vivas que nos amam
e às mortas que cumpriram seu dever,
envio esta saudação com emoção:

Desejo que recebam o que clamam:
a gratidão do ser, mesmo sem ter,
porque delas sobeja o coração. 

Porque o Amor - Daniel Cristal


Porque o amor é mais forte que a morte 
Porque a vida é menos forte que o amor, 
Tenho-te nos braços, ó diva nobre, 
Dos ombros à nádega que a mão cobre. 

Que a outra cubra teu pescoço ténue 
Tua nuca macia jamais coberta... 
Cinjo-te o signo, a palavra ingénua, 
Mordendo os lábios da tua boca aberta.

Fundindo o que funde no calor da brasa, 
Unindo o que une em qualquer casa:
A vida e o fogo jamais extintos 
Porque os nossos estavam famintos 

sábado, 2 de maio de 2009

Dom de graça - Daniel Cristal


Agora que venci muitas etapas
muitas mortes que outros não venceram,
mais novos do que eu, e foram capas
de revista e jornais que alguns leram;

Agora que usufruo da vida toda
milagre e maravilha alternados,
também receio a água duma boda
que traga a salada envenenada

Mas, assim é a partilha deste mundo:
tudo se pode esperar em consciência
no proveito vivido ao segundo.

Vive com mais afinco a ambiência,
ama mais a pessoa e a empatia,
e agradece a Deus por mais um dia.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A Tela do Sonho - Daniel Cristal


Ao bordar a Arte, tanto pode sair
da agulha uma flor, como uma ave,
um cavalo afoito, ou o elixir
que transforma uma arca numa nave.

Em ponto cruz, unida a cor querida,
a figura renasce na sua forma
evoluída, e fica cheia de vida...
Até a emoção, se lhe transforma!

A pétala da flor parece até
um coração de amor, e o cavalo,
um Pégaso a voar para o céu.

Mas a tela do sonho não se cala:
pede ainda que o poeta seja um mago
e borde em cada estrela um afago.