BEM-VINDOS

Obrigado pela sua chegada; não se esqueça que é de AMOR AGAPIANO* que essencialmento poeto, também erótico quando a propósito de algumas circunstâncias episódicas nas mais diversas proporções. Como estou avança(n)do no tempo, não se escandalize, porque o que é preciso erradicar do Mundo é o preconceito secular, topo onde está preponderantemente a regressão da Humanidade neste percurso da condição humana, nem sempre adequada ao futurecer* do Homem, albergado corporalmente neste Planeta, sem saber com precisão, na generalidade, onde está a sua/nossa Alma. [ Obs. os astericos* assinalam dois neologismos da nossa Língua ].

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terça-feira, 19 de maio de 2009

A Música - Daniel Cristal

 
Ao dedilhar a corda da guitarra
o som purificou este meu verso,
assim como quem ouve o Universo
a embelezar a vida, e nos agarra.
 
Sem ela, sem a música que amansa
o ódio, a revolta ou a raiva,
sem ela que aplaina a rija barra,
o mundo seria marcha em vez de dança.
 
Em cada fímbria do meu ser, o som
da harmonia retine e me extasia,
enquanto o arco-íris pinta o dia.
 
Nem há sabor amargo, tudo é bom!
É bom todo o tom, também o cheiro,
é bom o que tacteio... e assim me abeiro.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Psico-Heteronímia - Daniel Cristal


Quando me olho ao espelho, vejo o ego
Que se reflecte em mim: sou mesmo eu
Com emoções primárias, e não nego
Que respondo por mim; sinto-me meu.
 
Mas se estou com os outros, eles são
Sala de mil espelhos deformando-me
E eu me posiciono na razão
De ser um entre todos balançando-me...
 
Porém, eu não queria ser o próprio ego
Com que me olho ao espelho: um primata!
Também evito ser condicionado!
 
O que desejo ser é não ser cego,
Desejo-me perfeito: outro arcanjo...
Ele é quem me arrebata e me mata!

domingo, 17 de maio de 2009

A Mentira de Verdade - Daniel Cristal


Ninguém diz que engana, e vai mentindo
No mundo onde a morte engana a vida.
E a única verdade e a mais sentida
É termos de enganar um sonho lindo !

No fim, a morte cumpre sem falácia:
Fina-se surdo e mudo como um deus !
Alguém, até mentindo, chora o adeus,
O que (em verdade) é mera perspicácia...

Fere demais a mentira trapaceira,
A verdade da humana invenção,
Aquela que faz doer o coração;

Pois, não pergunte nada à minha beira
Porque mentem e mentem de verdade...
E aumentam a mentira com vontade !

sábado, 16 de maio de 2009

Variações Romanceiras - Daniel Cristal

 
Não vejo esse sonho lindo
aquele que me animava
mas ouço o agoiro findo
da gente que já foi brava
 
Já desbravou outro mundo
já deu umas voltas à Terra
achou no inferno outro fundo
e no paraíso outra guerra
 
Venceu e perdeu no fim
por incrível que pareça
ai que sou triste de  mim
por pouco que o mereça
 
Espero que o trigo nasça
no quintal destas aldeias
um bom trigal que nos faça
o sangue correr nas veias
 
Porque morrer de desgosto
e nunca ir mais além
é vinho de pouco mosto
e pouco gosto também
 
Ide ide minha gente
dar volta ao que o Mundo tem
aqui já não há presente
sabe bem ir mais além
 
Vede os peixes conviver
na humildade do ser
não há quebrar nem torcer
não há ganas a doer:
 
As ganas dessa ganância
a esperteza pacóvia
a patologia da ânsia
escurece a nossa História
 
Não é o rei morto em África
nas areias do deserto
não é erro de gramática
    que mudou o termo certo
 
É a vinda doutro filho
no dia mais desejado
mais uma espiga de milho
exposta no nosso eirado
 
Nem é D. Sebastião
nem um milagre de Fátima
nem mesmo o fado-canção
jogo perdido com lágrima
 
Ide guerreiros sem lança
navegadores d' harmonia
trazei de lá abastança
prà vida com alegria
 
Ide hoje com insistência
ao fundo de cada margem
até ao fim da demência
e ganhai então coragem
 
Coragem de abrir a porta
à postura mais sublime
Por cada prática morta
há outra que nos redime
 
Alvíssaras ofereço
ao gajeiro da Poesia
mereça ele o qu' eu mereço
o fruto do melhor dia
 
Mas qu' espreite o continente
outra praia ou outro rio
onde haja gente que sente
o engano servido a frio
 
'Já vejo' diz o gajeiro
do alto da sua gávea
'vejo lá tanto dinheiro
quanto o dum mestre com lábia'
 
'Não é o dinheiro que busco
nem tão pouco esse teu mestre
não vivo no lusco-fusco
nem vou morrer dessa peste'
 
Na semente semeada
a esperança começa
e na filha esperada
há um desgosto que cessa
 
Essa é que essa na peça
do verso que aporta à Índia
este horizonte não cessa
de ter mais azul ainda
 
'Que vês ó gajeiro agora?'
'vejo um celeiro de trigo
a repartir nesta hora
e não me vou já embora'
 
'Assim sim falas certeiro
carteiro desta Nação
entrega ao mundo inteiro
a parte igual deste pão'
 
Não foi o gajeiro o demónio
qu' estoirou noutra história
foi um humilde campónio
deixando luz na memória
 
E em vez da estória trocada
do famoso 'Romanceiro'
houve praia bem achada
pelo suposto gajeiro.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Não há amor - Daniel Cristal


E vós dizeis: Viver é um acaso,
É um salve-se quem puder,
Dente por dente, dê pra onde der,
A guerra traz a Paz, a dado prazo!
 
Nascer, viver, morrer a curto prazo,
Prazo que o deus da guerra determina
- Sinto a agonia dos mortos com má sina,
Um choro de inocentes neste caso...
 
E não enxergo o fim para a desgraça,
Valas comuns de mortos nossos mártires
Que amanhã são vingados pela raça.
 
E no amanhã sucede tudo igual:
De vingança em vingança se constrói
Um mundo sem Amor, que nos destrói.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Lamento - Daniel Cristal


De vez em quando ponho os olhos no horizonte
E fico imenso tempo absorvido e vazio...
Ponho tudo em questão! Admiro o mar e o rio
E o firmamento oblongo desenhado ponte.

Tudo seria possível... Poderia
Existir uma raça humana diferente;
Poderia existir um sonho com a gente
Que esculpi lentamente numa pedraria.

É então que eu afirmo: sou um negligente
Rude desobediente primata, convicto
De que sou a utopia do mundo e seu mito...

E fico imenso tempo absorvido e vazio
A olhar o mar e o rio e esse firmamento
que firma qualquer deus com quem eu me lamento.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Sentimentos - Daniel Cristal


Estou genuflectido ante ti,
balbuciando palavras de amor
no alvor da ternura que antevi,
e reclamo a paixão com meu ardor.
 
Marcas o perfil dócil da prudência;
o gesto é cativante na brandura,
e o sorriso retrata a clemência;
pareces o presente que futura.
 
Revejo-me na pose embevecido
por te falar na simples oração,
e sinto-me feliz e guarnecido!
 
Guarnecido da água e do pão,
que nos farão o chão apetecido:
o trajecto concluído da união.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Gargalhada - Daniel Cristal

 
Dum pedido-desculpa fico à espera
Quando me maltratam sem razão!
Não há nenhum Verão sem Primavera
Nem boa relação sem o perdão...

Se o invejoso me ofende, fico louco!
É uma raiva atroz que me sufoca
Aos apelos de paz eu ligo pouco
E espeto-lhe o ferrão com minha moca!

Mas tudo fica bem tempos depois
Restabelecido fico na carruagem
Que me leva ao destino programado...

Esquecido não fico... Só aguardo
Que o pedido chegue na viagem
E a carroça se ponha atrás dos bois!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Poeta é - Daniel Cristal


Poeta é quem me lê, é quem me sente;
Poeta é quem se emociona e se extasia
Com a poesia mais pura, a Harmonia
Da existência da hora florescente. 

Poeta é quem me sente, quem existe
Como eu a aprender, ou decifrar
Sinais no Holomundo, crendo amar
O que, em todos nós, com Amor persiste.

Poeta sou eu, és tu, quem me elogia,
Somos nós, todos, Poetas, bem unidos,
E esta união é ubíqua em qualquer dia;

Poetas somos, agora e ternamente,
És tu, sou eu e ele, bem ungidos
Por Deus para amar tudo o que sente.
 
 

domingo, 10 de maio de 2009

O Futuro do Sonho - Daniel Cristal


O sonho realiza o Futuro
Um Futuro bem risonho
E é nesse rumo que sonho

Futuro que não é presente
Mas há-de ser permanente
Por aquilo que se sente

Sem Futuro haveria sempre
O mesmo tipo de gente
Num passado intermitente

- Era morrer deficiente
No lixo do ambiente
- Seria finar contra um muro!

Por isso vos mostro ardência
Na concretização do Futuro
E regeneração da Ciência!