BEM-VINDOS

Obrigado pela sua chegada; não se esqueça que é de AMOR AGAPIANO* que essencialmento poeto, também erótico quando a propósito de algumas circunstâncias episódicas nas mais diversas proporções. Como estou avança(n)do no tempo, não se escandalize, porque o que é preciso erradicar do Mundo é o preconceito secular, topo onde está preponderantemente a regressão da Humanidade neste percurso da condição humana, nem sempre adequada ao futurecer* do Homem, albergado corporalmente neste Planeta, sem saber com precisão, na generalidade, onde está a sua/nossa Alma. [ Obs. os astericos* assinalam dois neologismos da nossa Língua ].

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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Uma Ténue Esperança - Daniel Cristal


Uma ténue esperança, muito frágil,
Uma frágil esperança, muito útil,
Que cresça, que madure e seja ágil
Num mundo sem piedade e muito fútil !
 
Uma ténue esperança que não morra,
Que cresça, se expanda e amadureça;
Que fortaleça e quebre a masmorra,
E seja a nova linha que nos teça...
 
Que quebre esta masmorra que definha,
E seja a Esperança ou feito vivo,
Um feito bem tecido em toda a linha !
 
Uma ténue esperança que seja crivo,
E separe o bom trigo do mau joio
Sufocando-nos hoje neste poio...

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Meio Homem Inteiro - Rogério Simões


Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.

Esta vida não Vivi - Rogério Martins Simões


Será que na vida não vive
Quem na vida já viveu?
Ou será que terá vida
Quem nesta vida sofreu?
Eu que morri e que vivo
Dentro do mundo que passou,
Nos versos que não morrerão
Após rasgar a vida
Irão lembrar quem chorou
E esta vida não viveu.

Comentários Cordiais


Afinal, quem por cá me acena com comentários cordiais, é poeta também. Bons poetas, que neste meu percurso traduzido por apresentação de trabalhos poéticos sobretudo, desde o início deste século no ciber-espaço internético, me leram e aceitaram e comigo emparceiraram numa senda literária inacabada. Com eles partilharei este lugar de vez em quando, editando hoje um deles aleatoriamente, sendo o segundo (pois que já expus aqui uma poesia de Célia Lamounier de Araújo) : Rogério Simões. Outros poetas seguir-se-ão num destes próximos dias. Ora leiam estas duas poesias que se seguem, e digam-me se apreciaram estes belos trechos poéticos.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Canção do Mar - Daniel Cristal


Capitão almirante bravo
sem enjoo antigamente
no tubo sarfando em frente
sal agora em todo o lado
 
Tudo encolheu nesta terra
da afamada aventura,
minguou chão e altura,
mar é tubo onde ele erra
 
Ah, poeta d' antanho presente
minguou nosso horizonte
- o que foi mar agora é fonte
poesia e a voz da gente!
 
Tubo curvo como a água
curvo saído cristal
terra agreste ao lado sal
um não sei quê duma mágoa
 
Ah, vate velho sina boa
navegante do mar sonhado...
ó, epopeia que deu brado
vento à bolina que voa!
 
Pra onde vamos neste mar
Onde navegamos capitão?
Deixa a mágoa coração
procura outro linguajar!
 
Que da língua não se perca
esse império longínquo
sonha um prenúncio e um vinco
ao sarfar o mar que cerca
 
Vamos no redondo da onda
projectados ao mar do longe
cara de santo ou de monge
e é esta ambição que sonda
 
Teremos um novo destino
capitães do mar do longe
esta língua que se esconde
numa igreja com sino.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Desamor - Daniel Cristal


Uma noite de paixão sem amor
é um triste remedeio, sujeição
à desilusão e à traição
permeável ao suor da eterna dor
 
Nada se compara ao sentimento
duma atracção alquímica ou afim
que define o que é não e o que é sim
e que resiste ao guião do incerto vento
 
Um coração que sente a solidão
sujeita-se à escolha sem acerto
e a viver quase sempre no aperto
 
Mais vale renunciar a uma paixão
evitar a experiência da incerteza
do que fazer do amor uma fraqueza.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Amo-te - Daniel Cristal


Nos teus meus braços, somos o esplendor
do amor absoluto, o candor
do mundo noutra cor e noutro som
com laços impolutos noutro tom.
                     
No lábio, a energia se extasia...
é um fascínio d' afecto que desvia
esse borco da dor co' a face unida
no dia ainda desperto duma vida.
                    
A canção é profunda noutra forma...
É um soneto virgem do teu peito
com rimas floreadas ao meu jeito.
                     
Foge à norma o eco que retorna
como um rio desaguando numa foz
regressado à origem noutra voz.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

A Àrvore de Natal - Daniel Cristal


A árvore de Natal que escolhi
Criei-a na estufa prò efeito; 
Despida estava quando a recolhi 
Mas fica enorme e bela quando a enfeito.   

Em vez de bolas áureas e artigos 
Comprados com os €uros de papel, 
De ramas de algodão com papai Noel, 
Enfeito-a com lembranças dos Amigos.   

Fica linda esta árvore de decoro!... 
Resplandece o brilho da Amizade 
E o carinho do peito com saudade!   
Ilumina o Mundo pelo coro

 Duma feliz mensagem de esperança; 
É a radiosa imagem duma dança!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Natal Maquinal - Daniel Cristal


Maquinalmente o menino foi posto, 
Ali, sobre as palhas da manjedoura. 
Todos os anos encontro-o formoso, 
Bem opulento, de cabeça loura. 
  
Olhos piedosos, divina expressão, 
Dois dedos a indicar a salvação... 
Recebe reis que lhe rendem homenagem 
ou somos nós quem precisa dessa imagem? 
  
Outro menino imaginei diferente, 
Pobre, franzino, de tudo carente, 
De ajuda e piedade precisado... 
  
Este, com tanta personalidade, 
Como está, ciente da divindade, 
Não precisa de reis magos, nem de nada!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

À Poetisa Safo - Daniel Cristal


Vieste deusa bela ao meu encontro;
de ti recordo o gesto ágil terno,
o olhar paixão, o beijo logo pronto,
na doce oferta do amor eterno.

A taça erguida nesse gesto lindo,
o gesto frágil com a graça ágil,
a prova dúctil do teu ser infindo,
endeusa o servo como presa fácil.

A essa taça erguida sou fiel;
tu deste cor odor ao brilho fosco,
por isso tenho lábios vinho e mel;

Razão me leva a ser poeta tosco:
tu és a poeta deusa, luz brilhante,
amada minha, sol e lua diamante.