Uma grande revelação para mim, foi esta poetisa Carmo Vasconcelos, que, na ductilidade do verso, escreve em vários registos estéticos. Clássica e verso-librista, também discorre no discurso romanesco. É por isso multifacetada, e a arte, que dos seus dedos e da sensibilidade escorre, tem picos grandiloquentes. Veria eu com olhos de satisfação se algum livreiro se interessasse por esta excelente poeta, editando toda a sua obra, e estou convencido que ele seria recompensado na correspondência e no retorno comercial, que é isso, presumo, que os empresários editores pensam e querem; oxalá que esta asserção fosse um juízo enganado de quem a profere. Aqui e hoje amostro alguma da sua poesia - mas pode lê-la em -http://carmovasconcelos.spaces.live.com:80/ :
Se eu morresse amanhã, não o permita Deus...
Minha pobre alma penaria sem cessar
Por não ter pousado o meu último olhar
Na redentora luz dos queridos olhos teus
Se eu morresse amanhã, por já prescrita sina
Sem tempo de dizer-te o que o coração cala
Pra sempre ouvirias minha negada fala
A cada passo, a cada som, a cada esquina
Se eu morresse amanhã, sem tua flor ou poesia
À tua ficaria minh'alma aprisionada
Sem luz pra encontrar minha nova morada
Sem golpe d'asa para voar sem nostalgia
Se eu morresse amanhã, não o permita Deus...
Num raio de lua ou brisa morna sentirias
Roçar-te o rosto na maior das estesias
Meu beijo de partida em derradeiro adeus!